Um convite à tecnologia perdida.
Um convite a tecnologia perdida: as artes.
Os Estados Unidos gastaram em 2025 US$ 725 bilhões em tecnologia, investidos principalmente com insfrastrutura de inteligência artificial, data centers, chips, e energia elétrica.
É comum que a gente associe rapidamente tecnologia e ciência ao desenvolvimento humano na Terra, afinal a ciência dá as bases do conhecimento, e a tecnologia usa esse saber de forma prática para resolver nossos desafios humanos.
O problema é que a tecnologia que criamos e investimos no último século, serve a uma ideia de homem máquina, como engrenagem, equalizando o tempo com a invenção do relógio, e a métrica de sucesso à produtividade.

Assim deixamos de fora a nossa natureza, as nossas necessidades materiais e subjetivas, e terceirizamos algumas das nossas funções básicas, como: a saúde, o sono, exercícios físicos, alimentação, criatividade, emoções, relacionamento...
Você já reparou como estamos sempre em busca de alguém para nos dizer como devemos lidar com essas demandas? E como elas sempre parecem ser obtáculos no caminho da nossa produtividade?
Eu já fui a pessoa que seguiu receitas que diziam que eu devia acordar às 05am, tomar banhos gelados, meditar, fazer terapia, e preciso dizer que todas essas ferramentas me ajudaram em alguma medida, mas nada me ajudou mais do que assumir que eu não sou um mecanismo exato, e que portanto eu deveria escutar e sentir minhas próprias demandas, e dar a mim mesma o que eu sinto que preciso. E fazer isso é uma arte.
Pode parecer contraditório, mas a Arte é também em essência tecnologia, já que sua raiz etimológica é a mesma: Techné. Diria talvez que Arte é uma tecnologia que antecede a ciência. Enquanto a ciência agrupa, define e estuda as causas e efeitos, a arte é capaz de nos fazer enxergar algo que talvez ainda não tenha nome.
Um exemplo é o amor. Antes dele ter um nome, definições e conceitos, ele era apenas algo abstrato como um sentimento, e que alguém que o sentiu, e deu expressão a ele.
Pinaffo Pluvinage: En Cascade, Mécanique Sablonneuse, 2023. Mixed media installation. 11 x 3.5 x 4.5m
Arte é tecnologia. Talvez a única capaz de nos devolver a autonomia da nossa própria vida. A arte é uma tecnologia capaz de integrar as nossas peças soltas: nosso luto, nossa raiva, nossas contradições, nosso corpo, nossos desejos, nossas estranhezas, nossas frustrações e vulnerabilidades. É ela que vai nos reensinar a sentir, a pensar, a nos relacionarmos, a testar, e encontrar a nossa própria equação.
O desenvolvimento tecnológico como conhecemos, trouxe sim confortos e avanços, mas já é tempo. Precisamos romper com essa fórmula caduca que nos espreme entre minutos, telas e fórmulas prontas.
Arte é atitude. É por isso que deixo aqui meu convite: seja artista. Não do tipo que cria belos objetos apenas, mas alguém que dentro das suas próprias possibilidades cultiva uma postura de artista.

Teste uma abordagem diferente para problemas antigos, seja curioso mesmo com o que deu errado, crie oportunidades, invista na pesquisa artística do desenrolar de si mesmo. Se permita ser torto, às vezes malandro se necessário for para salvar o que há de mais valioso em si.
Eu estou ansiosa pra conhecer o artista em você.
Esse é o meu convite.